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07/08/2026

Por que uso 42 em uma bota e 43 em outra?

A forma da bota: por que o mesmo número pode calçar de maneiras diferentes

Há pouco tempo escrevi aqui no blog sobre numeração de calçados, medidas dos pés e sobre como chegamos ao número que usamos em uma bota. Falamos sobre comprimento, largura, formato dos pés e sobre uma coisa que aprendi durante muitos anos vendendo botas: saber que você usa 40, 41 ou 42 é importante, mas isso não explica sozinho como uma bota vai ficar nos seus pés.

Existe uma outra parte dessa história que normalmente o cliente não conhece porque, quando a bota chega até ele, ela já não está mais lá. É a forma, aquela peça que lembra um pé e sobre a qual a bota é construída durante a fabricação. A forma determina boa parte do espaço que teremos dentro do calçado, a largura, o volume na região do peito do pé, o desenho do bico, a região do calcanhar e, naturalmente, a aparência que aquela bota terá depois de pronta. É por isso que dois modelos diferentes, ambos número 42, podem proporcionar sensações bastante diferentes quando colocados nos mesmos pés.

Meu primeiro contato com uma forma aconteceu muito antes de eu imaginar que um dia trabalharia com botas. Eu devia ter uns 12 anos. Minha mãe havia sofrido um derrame e precisava usar uma botinha ortopédica feita especialmente para ela. Eu a acompanhava ao sapateiro, que tirava as medidas dos pés e trabalhava numa forma de madeira, acrescentando, retirando, lixando e moldando aquela peça até conseguir reproduzir aquilo que precisava para fazer o calçado dela. Eu ficava olhando aquele trabalho e fui entendendo, ainda menino e sem conhecer os nomes técnicos, que antes de fazer o calçado era preciso construir alguma coisa que representasse o pé que ficaria dentro dele.

Anos depois voltei a encontrar as formas quando comecei a trabalhar com o Peter, proprietário da Paraíso Boots. As botas da Paraíso eram produzidas dentro da Atalaia, uma fábrica em Três Corações que também produzia coturnos para o Exército. Ali eu já olhava aquilo com outros olhos e acompanhava um ambiente de produção de calçados. Depois vieram as botas da Black Boots, os fabricantes com quem trabalhamos ao longo dos anos e uma convivência cada vez maior com modelistas, couros, solados, construções e, naturalmente, formas.

A forma é uma espécie de modelo tridimensional em torno do qual o calçado será construído. Durante a montagem, o cabedal é colocado e conformado sobre ela, adquirindo o volume e o desenho definidos pelo projeto. Por isso, embora muita gente repare primeiro no couro ou no solado, boa parte da identidade de uma bota já estava decidida antes de esses componentes serem montados. Uma forma pode ter o bico mais redondo ou mais alongado, mais espaço na região dos dedos, mais ou menos volume no peito do pé, calcanhar mais ajustado e diferentes proporções entre essas regiões.

Isso também ajuda a entender uma confusão comum. A forma não é simplesmente uma cópia exata de um pé humano. Se fosse assim, bastaria escanear um pé e fabricar todas as botas daquele formato. Ela precisa considerar o pé, evidentemente, mas também o tipo de calçado que será construído, os materiais utilizados, a espessura do cabedal e do forro, o espaço necessário para movimentação e até a proposta estética daquele modelo. Uma bota de trabalho, uma Chelsea, uma Moc Toe e uma bota social podem partir de necessidades bastante diferentes, mesmo quando todas serão vendidas na mesma numeração.

Das formas de madeira às formas industriais

Durante muito tempo, a madeira foi o material tradicional para a fabricação de formas. Era necessário escolher uma madeira adequada, seca e estável, porque qualquer alteração dimensional da forma poderia aparecer posteriormente no calçado. O trabalho exigia conhecimento e habilidade manual. O profissional partia de um bloco e ia chegando ao desenho pretendido por meio de cortes, desbastes, medições e sucessivos ajustes.

Nas formas sob medida, como aquela que eu via o sapateiro preparar para minha mãe, o trabalho podia ir ainda mais longe. O objetivo era atender às particularidades de uma pessoa específica. Se havia uma região do pé que precisava de mais espaço, aquela região podia ser aumentada na forma. Se era necessário algum tipo de compensação, o profissional fazia essa correção. Depois de acertada, aquela forma podia ser guardada e utilizada novamente para fazer outro calçado para a mesma pessoa.

Esse universo ainda existe na sapataria artesanal e principalmente no calçado sob medida, mas é muito diferente da realidade de uma fábrica. Quando desenvolvemos uma bota para a Black Boots, não estamos fazendo um par para uma única pessoa. Aquela bota poderá ser produzida aos milhares e será usada por pessoas com pés bastante diferentes. É justamente aí que começa uma das partes mais interessantes do desenvolvimento de uma forma.

Na Black Boots temos nossas próprias formas. O desenvolvimento é feito pelo Adriano Tofanin, que além de fabricante é modelista e trabalha conosco há muitos anos. A partir do projeto da bota, ele desenvolve a forma que depois é produzida por uma empresa especializada. Não basta decidir que determinada bota será 40, 41 ou 42. É necessário decidir que tipo de pé queremos acomodar, qual será o volume interno, como ficará o bico, qual será a largura, como o cabedal trabalhará sobre aquela forma e qual aparência queremos obter no produto final.

Depois vêm os protótipos e os testes. Eu sempre gostei de usar as botas que estamos desenvolvendo. Calço, caminho, trabalho com elas e vou observando o comportamento. Quando alguma coisa não me agrada, passo essa informação para a fábrica e fazemos os ajustes necessários. Já alteramos formas da Black Boots ao longo dos anos justamente por causa desse processo. Alguns milímetros em determinada região podem parecer pouca coisa olhando uma forma sobre uma mesa, mas nos pés podem produzir uma diferença bastante perceptível.

A forma precisa servir para muitos pés diferentes

Talvez esse seja o ponto mais importante para quem está tentando entender por que determinada bota ficou excelente nos seus pés e outro modelo, da mesma numeração, não ficou.

Nossos pés são muito diferentes uns dos outros. Existem pessoas com pés largos e outras com pés estreitos, algumas têm o peito do pé mais alto, outras têm pouco volume nessa região. O calcanhar pode ser mais estreito ou mais largo, os dedos podem ter comprimentos e disposições diferentes e o volume total do pé também muda bastante de uma pessoa para outra. Até os dois pés da mesma pessoa normalmente apresentam alguma diferença.

Uma fábrica não consegue fazer uma forma individual para cada cliente. Precisamos desenvolver uma forma que funcione bem para uma parcela grande das pessoas que utilizarão aquela bota. Gosto de explicar isso dizendo que procuramos chegar a uma espécie de média. Não significa pegar simplesmente a medida média de vários pés e copiá-la. Existe todo um trabalho de modelagem por trás disso, mas o princípio para o consumidor entender é esse: estamos criando um produto em série para pés que não são produzidos em série.

É justamente por isso que uma forma pode ser muito boa para os meus pés e não ser tão boa para os seus. Nenhum de nós está necessariamente usando a numeração errada e isso também não significa que exista algum problema de qualidade na bota. Pode simplesmente existir uma combinação melhor ou pior entre o formato daquele pé e o desenho daquela forma.

Eu mesmo tenho uma experiência muito simples fora do mundo das botas. Gosto bastante de Converse, mas sempre achei sua forma estreita para os meus pés. Em determinados modelos prefiro usar 43. Já um Vans Old Skool, que para mim tem uma forma que acomoda melhor a largura do meu pé, posso usar 42. Não considero um tênis melhor que o outro por causa disso. São desenhos diferentes e um deles simplesmente combina melhor com o formato dos meus pés.

Com botas acontece a mesma coisa. Um cliente pode experimentar dois modelos diferentes da Black Boots, ambos número 42, e perceber que um ficou muito melhor. As formas podem ser diferentes, com distribuição de volume diferente, e o próprio desenho do cabedal também interfere na sensação do calce. Por isso é importante não transformar a numeração numa verdade absoluta. Ela é uma referência fundamental, mas é apenas uma parte do conjunto.

A forma não trabalha sozinha

Existe ainda outra questão que aprendi na prática e que considero importante explicar. Nem sempre duas botas construídas sobre a mesma forma terão exatamente a mesma sensação nos pés.

Temos um bom exemplo dentro da própria Black Boots. A Moc Toe e a Commander utilizam praticamente a mesma forma, mas a Commander possui um cabedal mais estruturado. Na região do bico, por exemplo, existe reforço em couro. Isso faz com que a bota nova tenha uma sensação diferente e também com que seu processo de amaciamento seja diferente. A Moc Toe tende a ficar macia mais rapidamente, enquanto a Commander leva mais tempo para adquirir a flexibilidade que terá depois de usada.

Portanto, quando falamos em calce, precisamos separar duas coisas. A forma determina a geometria básica e o volume sobre o qual aquela bota foi construída, mas couro, forro, reforços, contraforte, biqueira, palmilha de montagem, entressola e solado também interferem naquilo que sentimos nos pés. Uma bota robusta feita com couro espesso e uma construção firme não vai necessariamente transmitir a mesma sensação inicial de um calçado leve e flexível, mesmo que algumas de suas medidas sejam semelhantes.

Esse assunto aparece muito no atendimento ao cliente. Recentemente um cliente me disse que a bota estava pegando no calcanhar e interpretou aquilo como sinal de que ela estava grande. Nem sempre é. Uma bota nova pode ter uma base bastante rígida. Dependendo da construção, temos couro, soleta e borracha formando uma estrutura que ainda não flexiona da mesma maneira que vai flexionar depois de algum tempo de uso. Enquanto a bota inteira ainda não acompanha completamente o movimento do pé, pode haver mais movimento relativo na região do calcanhar e algum desconforto durante o amaciamento.

O perigo é tentar resolver qualquer sensação desse tipo simplesmente comprando uma bota menor. Para mim, esse é um dos erros mais comuns na compra de botas. Muita gente experimenta uma bota como experimentaria um tênis e procura aquela sensação de tudo muito justo desde o primeiro minuto. Eu não gosto dessa ideia. Pela minha experiência, prefiro que exista espaço dentro da bota, inclusive uma folga de comprimento que pode chegar a algo em torno de 1 cm a 1,5 cm, dependendo do modelo, do pé e da preferência de quem vai usar.

Quando a pessoa escolhe uma bota curta demais apenas porque quer sentir o pé preso, pode criar outros problemas. Os dedos ficam sem espaço, principalmente quando o pé se desloca para a frente numa descida, e determinadas regiões do cabedal e das costuras podem trabalhar sob tensão desnecessária. Já o couro pode ceder um pouco na largura conforme é utilizado, mas a bota não vai crescer no comprimento. Por isso sempre prefiro alguma folga a ter os dedos encostando na frente.

É claro que existe preferência pessoal. Tem gente que gosta de sentir a bota mais justa e tem gente que prefere mais espaço. Existem também pessoas com peito do pé muito alto que acabam escolhendo uma numeração acima daquela que seria indicada apenas pelo comprimento, simplesmente porque se sentem mais confortáveis com o volume adicional. É mais um exemplo de por que medir apenas o comprimento do pé nunca conta a história inteira.

O desenho da forma também é o desenho da bota

Até aqui falei bastante sobre conforto, mas a forma também é responsável por grande parte da aparência da bota. Quando um modelista começa um projeto, ele não está pensando apenas em acomodar um pé. Ele também está desenhando um produto.

Bicos mais redondos, mais quadrados, mais baixos, mais altos ou mais alongados mudam completamente a personalidade de uma bota. O mesmo acontece com a inclinação, a altura do salto prevista no projeto e as proporções entre a parte dianteira e traseira. A forma precisa permitir que o pé seja acomodado, mas também precisa produzir a silhueta que o designer imaginou.

Essa é uma das razões pelas quais não faz sentido procurar uma única forma que sirva para todos os modelos de uma marca. Podemos utilizar uma mesma forma ou derivações dela em produtos que possuem características próximas, como fazemos em alguns casos na Black Boots, mas outros projetos pedem geometrias diferentes. Uma Chelsea precisa funcionar com uma construção sem cadarços, enquanto uma bota com amarração permite que o usuário faça ajustes de volume por meio dos cadarços. Uma work boot pode priorizar espaço e robustez de uma maneira diferente de uma bota de perfil mais elegante.

Também precisamos pensar em quem vai usar aquele produto. Não acredito que exista uma única "forma brasileira" que todas as fábricas devam seguir. Bota nem sequer é um produto originalmente brasileiro da maneira que uma Havaiana, por exemplo, acabou se tornando parte da nossa cultura. Mas é evidente que, quando desenvolvemos uma bota aqui, estamos pensando no consumidor que vai usá-la aqui. Ao longo do tempo, fabricantes e modelistas conhecem seu público, recebem retornos dos clientes e vão adaptando seus produtos.

Essa experiência acumulada é importante. Uma forma pode nascer de medidas, desenhos e softwares, mas a aprovação continua dependendo de colocar uma bota nos pés e usá-la. É por isso que gosto de testar pessoalmente os modelos da Black Boots. Não significa que, se ficou boa no meu pé, ficará perfeita em todos os outros. Seria impossível. O teste serve para entender o comportamento do projeto, identificar pontos que precisam de correção e juntar essa experiência às informações que recebemos posteriormente dos clientes.

Da madeira ao HDPE

As formas antigas que muita gente conhece, e que ainda são objetos muito bonitos de se guardar, eram normalmente feitas de madeira. Eu mesmo tenho algumas formas antigas e recentemente consegui outras para meu acervo. Elas contam um pouco da história da fabricação de calçados e ajudam a visualizar muito bem um trabalho que durante décadas dependeu bastante da habilidade manual do modelista e do fabricante de formas.

Na indústria moderna, porém, a realidade é outra. Hoje é muito comum encontrar formas produzidas em materiais plásticos de alta densidade, especialmente o HDPE, sigla em inglês para polietileno de alta densidade. Não se trata simplesmente de substituir madeira por "plástico barato". É um material escolhido justamente pelas necessidades de uma linha de produção, que exige precisão, resistência mecânica, estabilidade dimensional e capacidade de repetir muitas vezes a mesma geometria.

O uso de polietileno de alta densidade em formas industriais não é recente. Há registros técnicos de formas de HDPE desde pelo menos a década de 1960, e atualmente fabricantes especializados continuam utilizando o material. Empresas modernas de formas trabalham com modelos digitais em CAD 2D e 3D e equipamentos CNC para produzir as peças com grande precisão.

Isso resolveu várias limitações da madeira numa produção em escala. A madeira é um material natural e pode responder à umidade e às condições ambientais. O HDPE oferece maior estabilidade dimensional e longa vida de produção. Um relatório técnico da UNIDO sobre componentes para a indústria calçadista já apontava o polietileno como material amplamente utilizado na fabricação de formas, destacando o HDPE por características como durabilidade, manutenção da dureza e resistência ao esmagamento.

A tecnologia também mudou bastante a maneira de desenvolver uma forma. Hoje um modelo pode existir digitalmente, ser modificado no computador e depois produzido com equipamentos CNC. Isso facilita correções, graduação da numeração e repetibilidade. Fabricantes especializados trabalham dessa maneira e conseguem modificar digitalmente determinadas regiões antes da produção física da série de formas.

Apesar de toda essa tecnologia, existe uma coisa que não mudou. O computador pode executar uma alteração com enorme precisão, mas alguém precisa saber qual alteração deve ser feita. A experiência do modelista continua sendo fundamental porque desenvolver uma boa forma envolve medidas, conhecimento de fabricação, estética e entendimento de como o pé vai se comportar dentro daquele produto.

Na Black Boots essa etapa passa pelo Adriano, que desenvolve a modelagem, e depois pela empresa especializada que produz as formas. A diferença para aquela cena que eu via aos 12 anos é enorme. O sapateiro trabalhava diretamente numa peça de madeira para chegar ao pé específico da minha mãe. Hoje trabalhamos com desenvolvimento industrial e formas sintéticas que precisam repetir o mesmo projeto milhares de vezes. Mas, olhando bem, a pergunta que está por trás dos dois trabalhos continua bastante parecida: que pé precisa caber aqui dentro?

Antes da bota, precisamos pensar nos pés

Depois de tantos anos trabalhando com botas, acho curioso como o consumidor aprendeu a perguntar sobre quase todos os componentes. Hoje recebemos clientes querendo saber qual couro usamos, qual a espessura, qual é o solado, se é borracha, se é costurado, como é o forro e como a bota foi construída. São perguntas importantes e fico satisfeito que exista cada vez mais gente interessada em entender o produto que está comprando.

A forma, no entanto, continua sendo uma desconhecida para muita gente, embora seja justamente uma das coisas que mais interferem na relação entre a bota e os pés. Talvez isso aconteça porque ela não acompanha o produto. O couro continua ali, o solado pode ser visto e a costura pode ser tocada. A forma sai da bota ainda na fábrica e volta para a linha de produção. O cliente nunca a recebe, mas recebe tudo aquilo que ela determinou.

Isso também ajuda a colocar a discussão sobre conforto num lugar mais realista. Não acredito em uma bota que possa ser declarada a mais confortável para todas as pessoas. Podemos desenvolver uma excelente forma, escolher bons materiais, testar o produto e corrigir o que for necessário, mas continuaremos colocando uma mesma bota em pés diferentes. O que para mim pode ser um excelente calce talvez não seja para você, assim como acontece comigo quando comparo um Converse e um Vans.

Por isso nosso trabalho no atendimento não deveria ser simplesmente dizer ao cliente qual número comprar. Primeiro precisamos entender um pouco dos pés daquela pessoa, saber a medida, perceber se ela tem um pé largo ou fino, se o peito do pé é alto, qual tipo de calçado costuma usar e como gosta de sentir uma bota nos pés. Depois podemos juntar essas informações ao que conhecemos da forma de cada modelo.

Foi também por isso que quis escrever primeiro sobre medidas e numeração e agora sobre formas. Os dois assuntos estão ligados. A tabela de medidas é necessária e oferece uma referência objetiva, mas nenhum número consegue representar sozinho toda a anatomia de um pé. Quando entendemos isso, também entendemos por que às vezes precisamos experimentar outro modelo ou até outra numeração até encontrar a combinação que funciona melhor.

No fim, fabricar uma boa bota começa muito antes de escolher um couro bonito ou colocar um solado resistente. Começa entendendo os pés das pessoas para quem estamos fabricando. A forma é justamente o ponto em que esse conhecimento começa a virar uma bota de verdade.

Esse texto ficou muito bom. Espero que tenham gostado. Qualquer duvida será um prazer falar sobre ele - só deixar mensagem pelo meu Whatsapp | 35 984024893 

Guilherme Horta

socio-fundador Black Boots

desde 1996