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15/08/2026

Camisetas Black Boots: uma história que começou em 1996

A história das camisetas Black Boots começou praticamente junto com a própria Black Boots.

Em 1996, quando abri a primeira loja em Belo Horizonte, eu trabalhava principalmente com as botas da Paraíso, das quais era representante exclusivo. Mas desde o início eu queria ter alguns produtos com a marca Black Boots e a camiseta me pareceu uma escolha natural. Era uma maneira de levar a marca para fora da loja e também de criar uma coisa que eu sempre gostei: aquela camiseta que você compra porque gosta dela, porque gosta da estampa, da malha, de vestir aquilo, e não simplesmente porque tem o nome de uma marca estampado no peito.

Foi assim que começamos.

As primeiras camisetas Black Boots

Naquela época conheci Miriam Bedran, em Belo Horizonte. Miriam trabalhava com gente ligada ao Grupo Mineiro de Moda, movimento que teve enorme importância na moda brasileira nos anos 80 e 90 e reuniu algumas das melhores marcas mineiras daquele período.

Ela já era uma senhora, mas era extremamente descolada, muito bacana e, principalmente, perfeccionista. Fazia um produto espetacular e trabalhava com uma malha da Menegotti chamada Strong. Curiosamente, quase 30 anos depois, é justamente a Menegotti que reencontrei para produzir as camisetas atuais da Black Boots.

Parece que demos uma volta enorme para voltar ao lugar certo.

Tatuagem, rock, botas e a cena dos anos 90 em Belo Horizonte

As estampas das primeiras camisetas tinham muito a ver com aquele universo em torno da Black Boots e com a própria cena dos anos 90 em Belo Horizonte. Alguns desenhos foram feitos pelo Marcão, um amigo tatuador que infelizmente já faleceu. Outros foram criados pelo Emerson, um autodidata extremamente talentoso que desenhava muito, e havia também trabalhos do Bozó, Pedro Amorim, tatuador e vocalista do Overdose, uma das bandas pioneiras do heavy metal de Belo Horizonte.

Tatuagem, rock e botas faziam parte daquele ambiente, mas as camisetas nunca ficaram presas a uma fórmula. E acho que isso continua valendo hoje. As estampas atuais foram desenvolvidas como novas interpretações gráficas da Black Boots e da história que construímos desde 1996. Tem bota, cobra, sol, animais, tipografias e expressões como Beauty with Age, Since 96 e Work Boots. São desenhos diferentes entre si, mas todos conversam com o universo da marca e com tudo que fomos construindo nesses anos.

Teve uma época em que vendíamos camiseta demais

As camisetas começaram sendo vendidas dentro da própria loja e sempre tiveram uma saída muito boa. Depois vieram os Mercado Mundo Mix e outras feiras das quais participamos, levando as botas da Paraíso e as camisetas Black Boots, e ali a venda cresceu muito. Eu me lembro de vender muita camiseta mesmo, numa quantidade que hoje até me impressiona quando penso naquela época.

Durante todos os anos de loja física elas continuaram funcionando muito bem. A pessoa pegava a camiseta, sentia a malha, experimentava, olhava no espelho e levava. Curiosamente, quando a Black Boots foi migrando para a internet, isso ficou mais difícil. As botas funcionaram muito bem no e-commerce, mas com camiseta nunca aconteceu da mesma maneira, e talvez exista uma explicação bastante simples para isso: uma boa camiseta precisa ser sentida. É difícil mostrar numa fotografia a diferença entre uma malha qualquer e uma malha realmente boa.

Por que demoramos tanto para voltar a fazer camisetas?

Eu nunca abandonei a ideia de voltar a fazer camisetas Black Boots e, durante bastante tempo, continuei criando estampas e procurando alguém que pudesse produzir exatamente aquilo que eu tinha na cabeça. Cheguei a encomendar desenhos, fiz testes e gastei dinheiro com estampas que acabaram ficando guardadas durante mais de um ano porque eu simplesmente não encontrava uma camiseta que me agradasse.

O problema é que eu não queria pegar uma camiseta pronta qualquer e simplesmente colocar Black Boots nela. Eu queria uma malha boa, uma modelagem um pouco mais solta, uma gola um pouco mais fechada e um caimento que tivesse a ver com aquilo que eu gosto de vestir. Quando você quer isso, já não basta encontrar quem estampe camiseta. É preciso desenvolver o produto.

Também havia a questão da própria estampa. Hoje existem processos que facilitam bastante a produção de pequenas quantidades, como impressão digital e diferentes sistemas de transfer, e eu fiz alguns testes. Não gostei do resultado. Preferia voltar ao silk screen tradicional, inclusive porque gosto do aspecto da estampa, da maneira como ela fica sobre a malha e até de como vai envelhecendo junto com a camiseta.

Foi aí que, depois de procurar bastante, encontrei em Curitiba um fornecedor que topou fazer o projeto da maneira que eu queria e em uma quantidade limitada, que também é importante para nós. E aconteceu uma coincidência muito bacana: a malha escolhida foi novamente Menegotti, a mesma empresa das camisetas que fazíamos lá no início da Black Boots.

Algodão de verdade

Para as camisetas atuais escolhemos algodão puro e uma malha Strong com bastante estrutura. E aqui existe uma diferença que talvez seja difícil perceber olhando apenas uma fotografia, mas que aparece imediatamente quando você pega a camiseta na mão e, principalmente, quando veste.

O algodão é uma fibra natural, respirável, absorve umidade e tem um toque muito agradável em contato com a pele. Mas, para mim, não basta escrever “100% algodão” numa etiqueta. A qualidade da malha, sua construção, gramatura, acabamento e modelagem fazem uma enorme diferença no resultado final.

Era isso que eu estava procurando. Uma camiseta que tivesse corpo, fosse confortável, tivesse um bom caimento e que continuasse agradável depois de muito uso. Quando finalmente recebi as primeiras peças, era aquilo que eu queria.

Quatro estampas e uma produção limitada

Fizemos quatro estampas, sendo uma camiseta preta e três em um tom claro, próximo do off-white. Todas foram estampadas em silk screen e a produção é limitada, até porque a Black Boots não pretende virar uma marca de roupas com dezenas de coleções por ano.

A ideia é outra. Podemos fazer uma estampa, produzir uma quantidade pequena e depois criar outra. Podemos mudar uma cor, recuperar alguma referência antiga ou experimentar um desenho completamente novo. Isso nos dá liberdade e, de certa maneira, recupera um pouco daquela maneira como fazíamos as coisas nos anos 90.

E aí apareceu o primeiro moletom Black Boots

No meio desse projeto resolvi fazer uma coisa que nunca tínhamos feito em quase 30 anos de Black Boots. Um moletom nosso.

Já vendemos moletons de outras marcas nas antigas lojas Black Boots, mas nunca tínhamos produzido um Black Boots. Escolhi a estampa Work, que eu gosto muito, e fizemos o primeiro em cinza mescla.

Quando recebi a peça, fiquei impressionado com a qualidade. É aquele tipo de moletom que me lembra os bons moletons que já comprei fora do Brasil, com uma construção muito boa e o interior extremamente macio e confortável. Tenho usado bastante neste inverno e, nos dias mais frios aqui em Campanha, ele virou uma daquelas peças que você acaba pegando no armário sem pensar muito.

E foi aí que percebi que aconteceu com o moletom exatamente o que eu estava procurando nas camisetas. Você pega a peça na mão e já percebe a qualidade, mas entende melhor ainda quando veste.

Uma história que continua

Talvez exista uma ligação maior entre essas camisetas, o moletom e as nossas botas do que parece à primeira vista. Eu sempre gostei de produtos que envelhecem bem. Uma boa bota de couro não precisa continuar parecendo nova para sempre. Ela vai ganhando marcas, mudando um pouco de cor, criando vincos e ficando cada vez mais com a cara de quem usa.

Com camiseta acontece alguma coisa parecida. Tem aquela camiseta que você já lavou não sei quantas vezes, que já viveu um monte de coisas com você e que continua sendo justamente aquela que você procura no armário.

Foi assim que começamos a fazer camisetas Black Boots em 1996 e, quase 30 anos depois, acho interessante perceber que a ideia continua muito parecida. Mudaram os desenhos, mudou a Black Boots e mudou completamente a maneira como vendemos nossos produtos, mas continuo procurando a mesma coisa: fazer uma peça de boa qualidade, que tenha alguma coisa para contar e que eu mesmo tenha vontade de usar.

Black Boots. Since 1996.